A sua rede de revendedoras vende bem, mas cresce devagar: cada pessoa nova leva semanas para engrenar. Enquanto isso, a boutique da esquina, o salão de beleza e a loja de presentes do shopping recebem centenas de clientes por mês e não têm nenhuma semijoia no balcão. A consignação de semijoias em lojas é o canal que transforma esse movimento em venda sem você abrir ponto próprio.
Só que loja parceira não é revendedora com CNPJ. A peça fica exposta, passa por muitas mãos, e quem vende é uma vendedora que não conhece a sua marca. As regras precisam ser outras.
Como funciona a consignação de semijoias em lojas parceiras
Você entrega um mostruário com peças codificadas, a loja expõe e vende pelo preço que você definiu, e no fim de cada período as duas partes fazem o acerto: a loja fica com o repasse combinado, devolve o seu valor e as peças não vendidas voltam ou são trocadas.
Na prática, três coisas mudam em relação à maleta da revendedora:
- Exposição maior. A peça fica no balcão o dia inteiro, é provada, cai, risca. A taxa de avaria é mais alta.
- Venda sem relacionamento. Quem compra não conhece você. A embalagem, a etiqueta e o cartão de garantia precisam falar pela marca.
- Acerto com empresa. O lojista pede nota, prazo e relatório. Ele compara você com outros fornecedores que deixam produto em consignação.
A conta do repasse: quanto a loja fica e quanto sobra para você
Um exemplo ilustrativo, com números redondos para você trocar pelos seus.
Mostruário com 60 peças, preço médio de venda de R$ 120. Valor exposto: R$ 7.200.
A loja vende 18 peças no mês (30% de giro). Faturamento: R$ 2.160.
Com repasse de 30%:
- Fica com a loja: R$ 648.
- Volta para você: R$ 1.512.
- Custo das 18 peças vendidas (R$ 38 cada): R$ 684.
- Avaria estimada (2% do valor exposto por mês): R$ 144.
- Margem para a marca: R$ 684.
Com repasse de 40%:
- Fica com a loja: R$ 864.
- Volta para você: R$ 1.296.
- Custo das peças e avaria: os mesmos R$ 828.
- Margem para a marca: R$ 468.
Repare em duas coisas. A primeira: a diferença entre 30% e 40% de repasse muda a sua margem em mais de 30%. A segunda: a avaria, que quase ninguém coloca na conta, come uma fatia do tamanho de uma revendedora pequena. Se você não mede avaria por loja, não sabe se o ponto dá lucro.
Para comparar com a rede de revendedoras, use a mesma régua que você usa para definir a comissão de revendedora de semijoias.
Qual loja vale a pena
Nem todo balcão vende semijoia. Antes de levar o mostruário, olhe:
Público que já compra presente ou acessório
Boutique de moda feminina, loja de presentes, salão de beleza, clínica de estética e ótica costumam funcionar. Farmácia e mercado raramente funcionam para peça acima de R$ 80.
Espaço de exposição com vidro ou expositor fechado
Peça solta em cesta some. Peça em expositor com tampa tem avaria e perda bem menores.
Uma pessoa responsável pelo acerto
Defina um nome. Sem responsável, o acerto vira "volta semana que vem" e a peça fica três meses parada.
O que precisa estar no contrato com a loja
O termo da loja segue a mesma lógica do termo de consignação de semijoias da revendedora, com quatro pontos a mais:
- Percentual de repasse e preço mínimo. A loja não pode dar desconto que saia da sua parte.
- Responsabilidade por avaria e perda. Peça riscada no balcão é custo da loja ou dividido? Escreva.
- Prazo de acerto e de troca de mostruário. Acerto mensal, troca de 30% das peças a cada dois meses para o expositor não envelhecer.
- Inventário de entrada e de saída. Lista de peças com código, assinada pelas duas partes.
Rotina de acerto com loja parceira
A conferência é a mesma da maleta, peça por peça. O roteiro detalhado está em acerto de maleta de semijoias. Com lojas, acrescente:
- Leve a lista do que foi entregue, com código. Confira o que voltou, o que vendeu e o que falta.
- Registre o motivo de cada peça avariada: queda, risco, oxidação.
- Anote quais peças venderam primeiro. Elas dizem qual mix aquele público quer.
- Troque as peças paradas há mais de 60 dias por novidade.
Depois de três acertos, você tem dados para decidir: manter a loja, mudar o mix ou recolher o mostruário.
Erros comuns na consignação com lojas
- Entregar o mostruário sem lista assinada. No primeiro acerto, ninguém concorda com nada.
- Usar o mesmo repasse para todas as lojas. Uma loja com giro de 40% merece condição melhor do que uma de 10%.
- Não codificar as peças. Sem código, você não sabe qual loja vende o quê.
- Esquecer da loja que não vende. Um mostruário de R$ 7.200 parado é dinheiro que não volta para a reposição.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual o repasse comum para loja que vende semijoia consignada?
Varia muito por região e tipo de loja. Na conversa com o lojista, comece pela sua margem mínima e trabalhe para trás, como no exemplo acima.
Preciso emitir nota para a loja parceira?
Converse com o seu contador. A remessa em consignação tem tratamento fiscal próprio e o lojista costuma pedir o documento.
Quantas peças levar no primeiro mostruário?
Entre 30 e 60 peças costuma ser suficiente para testar o ponto sem travar muito estoque. Prefira peças de giro comprovado na sua rede.
Loja parceira substitui a rede de revendedoras?
Não. É um canal a mais, com margem menor e avaria maior. Funciona bem para escoar coleção e ganhar visibilidade em bairros onde você não tem revendedora.
Quer saber quanto cada loja vendeu, quanto deve e quais peças estão paradas em cada expositor? O EasySale controla cada mostruário peça a peça, do envio ao acerto.
Loja parceira só é canal quando você sabe quanto ela vende. Sem acerto, é estoque emprestado.